sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Expansão Viking

O mapa mostra as colônias vikings nos séculos VIII (vinho),
IX (vermelho), X (laranja) e XI (amarelo); as áreas em
verde são as que sofriam constantes incursões dos vikings.

Eles não grunhiam, não eram estúpidos e também não lutavam vestindo elmos adornados com chifres de boi, como o cinema ou a literatura costuma retratar. Os vikings, povo nórdico que se expandiu a partir do século VIII, foram grandes conquistadores e travaram batalhas memoráveis contra celtas, frísios e até mesmo com índios na América do Norte, mas passam longe dos estereótipos atribuídos a eles pelo senso comum. Esses navegadores escandinavos, que carregavam uma cultura guerreira próxima à de Beowulf, conseguiram desenvolver uma sociedade bastante evoluída para a época, com cidades prósperas, um sistema de leis eficiente e técnicas avançadas para a construção de barcos - ou seja, não eram bárbaros e muito menos subdesenvolvidos.

Eles chegaram ao território anglo-saxão no fim do século VIII e tiveram uma importância fundamental para a formação daquele povo. “Os primeiros vikings chegaram ao oeste da Europa através de invasões nos anos de 790, montando assentamentos na Escócia, Irlanda e Inglaterra. Eles também se assentaram na Islândia durante o fim do século IX, e na Groenlândia somente no século seguinte”, conta o historiador James Graham-Campbell, da University College London (Inglaterra).

A primeira prova da evolução dos vikings na Idade Média é, sem dúvida, a qualidade militar dos soldados. Eles não lutavam como uma turba desorganizada e arruaceira, como ocorria com muitos povos bárbaros. No campo de batalha, eles agiam como um exército bem treinado e com estratégias predeterminadas para derrotar os adversários. Para conquistar tantas vitórias, esses nórdicos se valiam de técnicas de luta baseadas em espécies de falanges, que serviam para dividir as defesas inimigas: uma fórmula usada muito tempo antes por gregos e romanos.

De acordo com o arqueólogo Stephen Harding, professor da University of Nottingham (Inglaterra), os guerreiros vikings normalmente usavam lanças e escudos circulares de madeira no campo de batalha e, os mais ricos, vestiam-se com cotas de malha e empunhavam espadas longas. “Nas batalhas, eles se organizavam em linhas e formavam uma ‘parede de escudos’, como a maioria de seus oponentes. Eles tentavam quebrar as defesas inimigas enviando ‘esquadrões de sangue’ munidos com machados de batalha”, detalha.

A coragem dos nórdicos já era conhecida pelos povos da região há muito tempo e, assim como o herói Beowulf, os navegadores vikings também se lançavam ao mar rumo ao desconhecido para enfrentar perigos mortais. Para isso, tiveram que aprender a construir naus bastante fortificadas, já que o clima extremamente frio e as águas turbulentas dos mares do norte poderiam facilmente afundar barcos pouco resistentes. Sendo assim, aperfeiçoaram as técnicas de construção dos drakkar, as grandes embarcações utilizadas para navegações próximas à costa ou em rios, e os knor, barcos para jornadas mais longas, conhecidos por alguns inimigos como ‘predadores dos mares’.

Outra semelhança com o período pré-viking é a própria religião pagã venerada pelos vikings. Até o fim do século X eles também cultuavam deuses como Thor e Odin, mas acabaram sendo finalmente cristianizados no decorrer dos séculos. Porém, até isso ocorrer, acreditavam em uma crença politeísta marcada pela presença de deuses e heróis que os estimulavam a lutar até a morte - mesmo que não houvesse nenhuma chance de vitória. Contudo, Harding lembra que o fato mais instigante em relação a esses conquistadores não envolve guerras, batalhas ou estratégias de combate, mas sim a própria vida social. Algo pouco conhecido, explica, refere-se aos instrumentos jurídicos utilizados pelos escandinavos da Idade Média. “Eles eram excelentes juristas e foram responsáveis pela introdução da palavra ‘lei’ (law, em inglês) na língua inglesa”, lembra o arqueólogo. “Apesar de terem uma reputação de guerreiros, eles eram, na realidade, pessoas muito civilizadas”.

Contudo, o professor da University of Nottingham admite que os vikings ganharam uma fama histórica negativa por conta de seus métodos violentos de conquistar o território dos oponentes: eles invadiam os territórios inimigos causando pilhagens, cometendo estupros e raptando os inimigos vencidos, inclusive sacerdotes e monges capturados em monastérios localizados na costa da Ilhas Britânicas. Graham-Campbell ressalta ainda que o principal objetivo dos invasores nórdicos era roubar riquezas, embora muitos acabassem optando por ficar nas terras recém-tomadas. “Para os invasores, o objetivo principal era levar para casa o resultado de seus saques, mas para aqueles que não tinham terras, por serem muito jovens ou mesmo exilados, encontrar um território para construir uma boa fazenda obviamente passou a ser uma boa idéia”, conta. Isso, sem dúvidas, acirrou ainda mais as hostilidades entre escandinavos e anglo-saxões.

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