sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Muralha Dinamarquesa

O Danevirke era uma muralha de terra que separava a Jutlândia
do Império Franco. Sua finalidade primordial era proteger a
cidade de Hedeby, que era o mais importante centro de comércio
da Dinamarca



Danevirke na "Carta marina" do século 16.


Construção da muralha

Danevirke é uma muralha defensiva dinamarquesa (hoje em Schleswig-Holstein, território da Alemanha) que foi construída entre o limite ocidental da Jutlândia e Schleswig, em Slien, no Mar Báltico, perto do centro viking de comércio de Hedeby.

Segundo fontes escritas, a construção de Danevirke foi iniciada com o rei dinamarquês Gudfred em 808. Foi construída com o objetivo de proteger o reino dinamarquês na península da Jutlândia de ataques francos.


As várias fases de construção de Danevirke.

Os francos haviam conquistado a Frísia e a Saxônia ao longo dos últimos 100 anos. Temendo uma invasão dos francos, o rei dinamarquês Gudfred ordenou que a fronteira de seu reino com o dos francos fosse fortificada.

Durante a Idade Média, a estrutura foi reforçada com paliçadas e paredes e foi usada pelos sucessivos reis dinamarqueses como ponto de partida de incursões militares nas Cruzadas Bálticas, particularmente as incursões dinamarquesas contra os eslavos.

Posto alfandegário, pousada e bordel


Runa de Hedeby. Foi encontrada em Sønderjylland, Norte da
Alemanha. Sønderjylland atualmente pertence à Alemanha,
mas durante a idade média era parte do Reino da Dinamarca.

Pesquisadores descobriram o único portão de travessia do Danevirke, um portal com cinco metros de largura. De acordo com escritos antigos, “carroças e homens a cavalo” costumavam passar pelo portão, chamado de “Wiglesdor”. Perto dele havia um posto alfandegário e uma pousada que incluía um bordel.

Há um século os arqueólogos sonhavam em encontrar este portão entre a Dinamarca e o Império Franco. Especialistas conheciam a localização aproximada, mas os arqueólogos não podiam escavar: havia uma antiga taverna no caminho. “O Café Truberg colocou freios em tudo”, diz Claus von Carnap-Bornheim, chefe do departamento de arqueologia de Schleswig Holstein.


Arqueólogos fazendo escavações no Danevirke.

As coisas só começaram a ir adiante quando o café faliu e foi comprado em 2008 com a ajuda da AP Møller-Fonds, um fundo que pertence a Arnold Maersk, dinamarquês de 97 anos que é dono da maior frota de contêineres do mundo. A companhia de energia E.on Hanse, subsidiária da E.on e responsável pelo norte da Alemanha, pagou para que o prédio fosse demolido e os arqueólogos puderam avançar.

Comércio por terra

Seus longos barcos tecnologicamente sofisticados, permitiram aos dinamarqueses desenvolverem uma rede formidável de rotas de comércio. Eles viajavam pelos rios da Rússia até Bizâncio e navegavam o Atlântico Norte até a longínqua Islândia, Groenlândia e até o norte da América do Norte.


Mapa mostrando o Danevirke, baía Schlei, e rios Treene e Eider.

Mas havia um calcanhar de Aquiles nesse império comercial, e este se localizava em Hedeby. Para que os bens do leste fossem enviados para o oeste, eles precisavam cruzar a estreita faixa de terra na base da atual Dinamarca. Os comerciantes entravam no território pela baía de Schlei, até chegar a Hedeby, onde suas mercadorias eram descarregadas e enviadas por terra até o Rio Treene, a 18 quilômetros dali. Só então os bens podiam ser carregados em barcos e enviados pelo Mar do Norte.

Durante toda a duração dessa curta viagem por terra, os bens valiosos – incluindo ouro de Bizâncio, peles de urso de Novgorod e até estátuas de Buda da Índia – ficavam expostos a ataques. Foi para proteger essa importante artéria comercial que os arqueólogos hoje acreditam que foi construída a fortaleza de terra, pedras e tijolos. O Danevirke, em outras palavras, não era nada além de um escudo protetor para o comércio.

Fontes: Tripatlas / Wikipédia / Blog Artigos Traduzidos / Solbrilhando.com / Runewebvitki.com

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O Comércio Viking na Europa

Os Vikings desenvolveram na Europa uma rede formidável de
rotas de comércio. Incentivaram o comércio e a indústria, revitalizaram os centros urbanos em decadência da Europa Ocidental e Setentrional e fundaram novas comunidades
urbanas em partes tão remotas como a Rússia e a Irlanda





Os progressos no desenho de suas embarcações lhes proporcionaram um novo domínio dos mares que rodeiam o noroeste da Europa, de que se valeram para o comércio. O crescimento da população levou esse povo a navegar por outros mares não apenas para praticar o comércio, mas para morar.

Os vikings conseguiram estabelecer uma ampla rede de contatos que se estendia da região onde atualmente é o Iraque até o Canadá. Conquistaram, fundaram e colonizaram povoados, revitalizando, em plena Idade Média, o comércio marítimo Europeu, ainda que temporariamente, com rotas através dos mares Báltico e do Norte, além de rios como o Ródano, Reno, Sena, Tamisa e Volga.

A expansão árabe havia interrompido o comércio mediterrâneo da Europa Meridional no século VII, convertendo a Europa Norte-ocidental em uma unidade comercial independente. Isso deixou os escandinavos, anteriormente isolados do comércio europeu, em boa posição para realizar negócios com os francos, com os árabes através dos rios russos e, pelo Mar Negro, com Bizâncio.

Compravam bens e materiais, como prata, seda, especiarias, vinho, Âmbar, jóias, metais, vidro e cerâmica. Vendiam itens como mel, estanho, trigo, lã, madeira, ferro, peles, couro, bacalhau e marfim de morsa.

No Norte, os centros comerciais mais importantes eram Ribe, Kaupang, Birka, Ahu, Truso, Grop Strömkendorf e Hedeby. As mercadorias eram levadas para esses centros e, em seguida, dispersas na sociedade Viking.

Enquanto os Vikings da Noruega e Dinamarca estavam lutando por novas terras no Oeste e Sudoeste, os Vikings da atual Suécia dirigiam-se para leste e para sudeste.

Os suecos iniciaram sua expansão em direção ao Leste e navegaram por lagos e rios russos até chegar aos mares Cáspio e Negro, o que lhes permitiu entrar em contato com o império bizantino e com os povos islâmicos da Pérsia.

Muitos deles voltavam ricos de suas expedições. Tamanho era seu percentual de comércio que haviam na Suécia mais moedas inglesas que na própria Inglaterra e 90% de todas as moedas de Bagdá encontradas na Europa estavam na Suécia. Havia um intenso comércio com os finlandeses e estados bálticos.

Suas embarcações, de pequeno calado, tinham grande mobilidade, e isso lhes permitia seguir sem problemas os cursos dos rios. Suas expedições tiveram caráter mais comercial do que guerreiro e foram responsáveis pelo início das atividades econômicas nas bacias dos rios Dnieper e Volga.

A organização política dos eslavos orientais era ainda de caráter tribal quando os vikings começaram a navegar e comerciar pelos rios russos, no século IX. As dissensões internas eram tão virulentas que permitiram a instauração de uma aristocracia escandinava sobre os povos eslavos, o que facilitou a escolha de um príncipe viking como líder que fosse capaz de uni-los: Rurik, chefe escandinavo que em 862 converteu-se em governador de Novgorod.

Da fusão de suecos e eslavos surgiram os primeiros principados russos, entre os quais se destacou, já no século 9, o de Kiev. O comércio dos vikings também provocou, no leste da Europa, o surgimento do ducado da Polônia e do reino da Hungria.

Os vikings criaram uma das mais promissores teias comerciais da Europa Oriental, com rotas ligando o Mar do Norte tanto a Bizâncio quanto ao Mar Cáspio e às caravanas vindas de Bagdá. Centro de todo esse movimento, Kiev tornou-se uma das cidades mais ricas da Europa.

O principado de Kiev chegou à fronteira setentrional do Império bizantino, com o qual estabeleceu um acordo comercial em 911. Enquanto que antigas rotas comerciais entre Oriente e Ocidente através do Mediterrâneo, estavam fechadas ou inseguras, os vikings mantiveram a rota de comércio entre Bizâncio e o Ocidente aberta por meio de Kiev.

O principado de Kiev prosperou controlando as rotas de comércio baseadas entre os rios que ligavam os mares Báltico e Negro. Peles, escravos, ceras, mel e produtos da floresta (madeira) eram levados através do Mar Negro para Constantinopla, onde eram trocados por sedas, especiarias e ouro. Esta prosperidade perduraria pelos próximos trezentos anos.

Fontes: História do Mundo / Hidromelvalkiria.com / Revista Aventuras na História / Archaeology.about.com / Centro Cultural Banco do Brasil / Correio Gourmand / Ucrania1.hpg.ig.com / Revista Super Interessante

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Armas e navios vikings

Com seus barcos velozes, bem armados e protegidos com armaduras, os vikings faziam ataques rápidos e inesperados


Lâminas de ferro de espadas vikings.

Os homens do norte estavam bem armados e protegidos com armaduras. Embora uma variedade de armas fosse usada, incluindo arcos, lanças e dardos, normalmente os vikings portavam machados resistentes que podiam ser arremessados ou brandidos com força. A espada longa viking também era comum e tinha quase o comprimento do braço de um homem.

Como armadura, os vikings usavam camisas de couro acolchoadas, às vezes protegidas por um peitoral de ferro. Os vikings mais ricos podiam usar cotas de malha de ferro. Eles também usavam capacetes de ferro. Alguns eram feitos de uma peça sólida martelada no formato de uma tigela ou cone. Outras eram feitas de peças separadas rebitadas a uma faixa de cabeça de ferro e nas junções ou usava-se couro para conectar as peças. Uma peça de ferro ou couro para proteção do nariz se estendia para baixo para proteger a face - em alguns casos era construída uma proteção facial mais elaborada ao redor dos olhos. Extensões para proteção das bochechas não eram incomuns. Os escudos dos vikings eram feitos de madeira, também freqüentemente fronteados com peças de ferro.


Réplica de capacete viking.

É provavel que os vikings não tenham usado o tão conhecido capacete com chifres. Tal invenção não era prática em batalhas, pois o peso excessivo era mal distribuído e não oferecia real proteção. Arqueólogos encontraram tais capacetes em colonizações escandinavas e, na falta de tecnologia que permitisse datar objetos com precisão, admitiram que tivessem pertencido aos vikings. Mas esses capacetes podem ter sido usados por chefes de tribos na era pré-viking. A imagem do viking com um capacete com chifres foi consolidada devido ao uso em óperas, o preeminente espetáculo de cultura popular nos séculos 17 e 18.

Juntamente com suas armas, os vikings se tornaram famosos por seus barcos. O barco longo com o qual eles são normalmente associados, não foi o único tipo de embarcação que os escandinavos construíram. Eles fizeram navios mercantes e embarcações de carga também. Entretanto, todos os seus desenhos têm várias características comuns:

. Construção com madeira rebitada;
. Quilha (a peça de madeira na parte inferior de um barco que ajuda a impedir que ele vire);
. Mastro único com uma vela quadrada de lã;
. Casco de duas faces (a proa e a popa tinham o mesmo formato, assim o navio podia se mover em ambos os sentidos sem fazer a curva);
. Timão lateral.


Os navios de guerra vikings geralmente
ostentavam medonhas esculturas
de dragão na proa e na popa.

Os cascos eram recobertos com pele de animal alcatroada, o que permitia vedação contra a água. No total, um típico navio de longo curso de 21 metros teria exigido 11 árvores para ser construído, cada uma com um metro de diâmetro, além de mais uma árvore para fazer a quilha.

Os navios de guerra eram mais estreitos e tinham mais remos para aumentar a velocidade. Os remadores não tinham assentos especiais - simplesmente sentavam nas vigas mestras que formavam o vigamento interno do barco ou em baús que continham seus pertences. Os furos para os remos podiam ser cobertos de discos de madeira e os navios de guerra tinham suportes onde os escudos vikings podiam ser enfileirados, proporcionando proteção adicional contra ataques.

A vela quadrada viking podia ter até 100 m2 de lã de espessura dupla, geralmente tingida de vermelho ou com listras vermelhas para impor medo em seus inimigos. Os vikings também usavam âncoras de metal e dispositivos de navegação primitivos.

.:: How Stuff Works


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► Barco viking não
é diversão


► O Comércio Viking
na Europa


► A Expansão Viking

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Guarda Varegue

A guarda varegue era um grupo de guerreiros vikings encarregados de fazer a guarda pessoal do imperador de Bizâncio


Representação de um Guarda Varegue. (1000-1050).

Com seus longos machados e fidelidade total ao monarca de Bizâncio, esta tropa de elite foi a melhor expressão do uso de mercenários pelo império do Oriente.

Criação da Guarda

Em 988, Basílio II pediu assistência militar de Vladimir I de Kiev para ajudar a defender o seu trono. Em conformidade com o tratado feito por seu pai após o Cerco de Dorostolon (971), Vladimir enviou 6.000 homens para Basílio II. Em troca, a Vladimir foi dada em casamento a irmã de Basílio, Anna. Vladimir também concordou em se converter ao cristianismo e trazer o seu povo a fé cristã.


Soldados na prisão de Cristo, representados como
Guardas Varegues em trajes cerimoniais.

Basílio II, com grande desconfiança de seus guardas bizantinos, cuja lealdade, muitas vezes resultava em consequências mortais, bem como a fidelidade comprovada do Varegues, levou-o a utilizá-los como sua guarda pessoal. Essa nova força se tornou conhecida como a Guarda Varegue. Em 989 estes Varegues, liderados pelo próprio Basílio II, desembarcaram em Crisópolis para derrotar o general rebelde Bardas Phokas. Phokas morreu no campo de batalha. Após a morte de seu líder, as tropas de Phokas fugiram. A brutalidade dos Varegues foi observada quando perseguiam o exército em fuga "alegremente cortado em pedaços."

Estes homens formaram o núcleo da Guarda Varegue. Lutaram no sul da Itália, no século XI, contra normandos e lombardos que trabalhavam para extinguir autoridade bizantina lá. Em 1018, foram enviados por Basílio II para a Itália para reforçar as tropas de Basil Boioannes, que enfrentava uma revolta Lombarda em Bari. Um destacamento foi enviado e na Batalha de Canas, os Bizantinos conseguiram uma vitória decisiva.


O centurião na Crucificação de
Cristo, apresentado como um
oficial da Guarda Varegue.

Os Varegues também participaram da reconquista parcial da Sicília em 1038. Um proeminente membro da Guarda neste momento foi Harald Hardrada, mais tarde rei da Noruega. Harald Hardrada, o último grande rei viking, serviu durante dez anos nesta guarda antes de assumir a coroa e invadir a Inglaterra em 1066.

Em 16 de março de 1041 uma força Varegue estacionada em Bari foi chamada para lutar contra os normandos perto Venosa e muitos se afogaram no recuo posterior em todo o Ofanto. Em setembro, Exaugustus Boioannes foi enviado para a Itália com apenas um pequeno contingente Varegue para enfrentar os normandos. Em 03 setembro de 1041 eles foram derrotados em batalha pelos normandos.

Na desastrosa batalha de Manzikert em 1071, praticamente todos os guardas do imperador cairam em torno dele.

Referências

Fontes gregas, por vezes, referem-se a Guarda como "bárbaros de machado", ou aqueles que "balançam suas espadas de seu ombro direito". (Ibid., p.180)


A Guarda Varegue; Iluminação da crônica de John Skylitzes do século 11.

Em uma iluminação da crônica do século 11 de John Skylitzes, soldados com machado representam a Guarda Varegue.

A Guarda Varegue só foi usada em batalha durante momentos críticos, ou onde a batalha foi mais feroz. Cronistas da época bizantina notam com uma mistura de terror e fascínio que o "escandinavos eram assustadoras, tanto na aparência como nos equipamentos, eles atacavam com raiva imprudente e nem se preocupavam com a perda de sangue, nem com as suas feridas ".

John Marsden disse: "Provavelmente, o aspecto mais extraordinário da Guarda Varegue é o fato da proteção pessoal do Basileus, que foi realizada a ser o único legítimo soberano do mundo cristão" e representado como "a contraparte terrestre e vice-regente do Cristo Pantokrator ', os homens das remotas terras do Norte cujas duas características mais conhecidas eram seus poderosos machados de guerra e seu apetite notório para o álcool." (John Marsden, "Harald Hardrada:" A Warrior's Way, Sutton, 2007)

Novos membros

Ao longo dos anos, novos recrutas da Suécia, Dinamarca e Noruega mantinham um elenco predominantemente escandinavo para a organização até o final do século 11. Depois a guarda começou a ver a maior inclusão dos anglo-saxões, após a invasão bem-sucedida da Inglaterra pelos normandos. Em 1088 um grande número de anglo-saxões e dinamarqueses emigraram para o Império Bizantino por meio do Mediterrâneo.

Eles foram destaque na defesa de Constantinopla durante a Quarta Cruzada.

Algumas menções de um remanescente da Guarda Varegue podem ser encontradas nos registros históricos até tão tarde quanto 1453, mas não era mais a força de combate de poderosos guerreiros vikings de antes.

Fontes: Wikipédia / www.archeurope.com / Aventuras da História
Tradução e Edição: Valter Pitta

terça-feira, 6 de julho de 2010

Haroldo II x Harald Hardrada

Em 1066, a disputa pelo trono da Inglaterra encerrou a dinastia anglo-saxônica na ilha, pôs fim à era viking e levou os normandos ao poder


Representação da Batalha de Stamford Bridge.

Em todos os reinados, as sucessões ao trono sempre foram terreno fértil para complôs e disputas declaradas. Era o momento em que velhos ressentimentos afloravam entre aqueles que se viam como legítimos herdeiros da coroa. Pouquíssimos reis subiram ao trono como unanimidades ou sem luta. Laços de sangue nada significavam. A Inglaterra do século 11 viveu essa rotina com toques ainda mais surpreendentes.

Em 1066, um dos aspirantes ao trono não vinha sequer de uma linhagem real. Harold Godwinson era filho do conde de Wessex, a família mais poderosa da época. Ambicioso, sua proximidade com o trono se dava por um parentesco casual – sua irmã era casada com o rei Eduardo III, o Confessor – e por seu livre trânsito junto ao monarca, que não tinha herdeiros.

O outro postulante à coroa, ainda que nobre, era um forasteiro. E bárbaro. Harald Hardrada, rei norueguês, era um calejado guerreiro viking que se considerava credor de um acordo firmado entre seu sobrinho e um soberano dinamarquês que reinara na Inglaterra durante uma “dinastia escandinava” (de 1013 a 1042). Havia ainda um terceiro concorrente, do outro lado do Canal da Mancha, que teria papel decisivo nessa disputa, o normando William (ou Guilherme, na forma latina).

O contexto histórico

O vácuo de poder que atraía tantos pretendentes ao trono inglês era resultado do atrito entre anglo-saxões, vikings e normandos (estes, descendentes dos próprios escandinavos). Foi a partir do século 5°, com o fim do poder romano, que povos germânicos cruzaram o mar para povoar a antiga Britânia. Seriam as forças criadoras do reino da Inglaterra e de uma dinastia própria.

Em meados do século 8°, porém, bárbaros – os vikings – passaram a invadir a ilha para pilhar e forçar o comércio. Combates entre anglo-saxões e vikings tornaram-se freqüentes. Contudo, nos séculos 9° e 10°, as incursões vikings à Europa e às Ilhas Britânicas deram origem a colônias. Tomado pelos dinamarqueses, todo o nordeste inglês ficou conhecido como Danelaw.

No fim do século 10°, os ingleses ao sul eram obrigados a pagar uma taxa para não serem atacados, o danegeld (dinheiro dos dinamarqueses). O rei que aceitou o tributo, Ethelred II, ficou conhecido como o Despreparado e seria deposto em 1013 pelo rei da Dinamarca, Swein, com aprovação inglesa. Swein morreria em 1014 e Ethelred, exilado na Normandia, retornaria apenas para ser apeado do trono pelo filho de Swein, Canuto, em 1016.

Foi a quebra da longa linha sucessória anglo-saxônica. Canuto, porém, soube se adaptar. Como quase todos os vikings à época, era cristão e casou-se com a viúva de Ethelred, Emma, uma princesa normanda. Nos anos seguintes, graças a suas conquistas no norte, tornou-se também rei da Noruega, sendo, então, monarca de três países. Quando morreu, em 1035, levava a alcunha de “o Grande”. Seu império, porém, ruiu. Seus dois filhos, Haroldo Pé-de-Lebre e Hardacanuto, o sucederam brevemente (de 1037 a 1042). Nesse período, a Dinamarca foi tomada pelo novo rei norueguês, Magnus, e a antiga linhagem anglo-saxônica reclamou o trono inglês. Em 1042, o filho de Ethelred e Emma, Eduardo III, o Confessor, que havia passado quase toda a vida exilado na Normandia, assumiu a coroa inglesa, retomando a antiga dinastia da ilha.

O rei está morto

A morte de Eduardo III, em 5 de janeiro de 1066, levou o Witan, um conselho de sábios, a proclamar Harold Godwinson soberano inglês, como Haroldo II. Além do poder que sua família havia conquistado durante o reinado de Canuto, acumulando condados sob seu domínio, Haroldo era a figura mais expressiva do reino. Em 1063, junto com seu irmão Tostig, havia debelado bravamente a invasão do rei de Gales, Gruffydd.

Mas isso não impressionava seu concorrente viking. Em 1030, com apenas 15 anos, Hardrada sobrevivera à batalha de Stiklestad, na qual seu meio-irmão, o herói nórdico Santo Olaf, morreu tentando reaver seu trono. No exílio, Hardrada lutou como soldado na Europa Oriental e foi mercenário na guarda varegue do império bizantino. Ali, sua liderança e fúria em combate lhe trariam fama e fortuna.

Em 1045, ele retornou à Noruega, onde dividiu o trono com seu sobrinho Magnus, que morreria – convenientemente – dois anos depois. Com a morte de Eduardo III, Hardrada voltou seus olhos para o trono inglês. Ele se via como herdeiro do acordo de paz firmado décadas antes entre Hardacanuto (rei da Inglaterra entre 1040 e 1042) e Magnus, que previa, caso morressem sem filhos, que um assumiria o reino do outro.

Em setembro de 1066, Hardrada partiu com 300 embarcações e 7,5 mil homens para tomar o trono inglês. Ele contava ainda com a ajuda de Tostig, o irmão de Haroldo II. Após desembarcar no norte da Inglaterra, o rei norueguês tomou a cidade de York, que nutria simpatia pelos nórdicos. Apesar da surpresa do ataque, Haroldo II estava preparado.

Batalhas pelo trono

Sua guarda, os housecarls, era uma tropa altamente treinada. Cerca de 7 mil soldados marcharam de Londres para o norte, quase 400 quilômetros em quatro dias, e surpreenderam seus oponentes a leste de York, na Ponte Stamford. Ali, em 25 de setembro, lutaram ao estilo viking: descargas de flechas e lanças e, então, combate corpo a corpo, com espadas, lanças e achas.

Apesar da ferocidade de Hardrada com seu machado de combate, ele e Tostig foram mortos e os invasores, destroçados (20 anos após essa batalha, os nórdicos encerrariam de vez suas invasões na Europa). Haroldo II, no entanto, não pôde descansar. William, o duque normando que também reclamava o trono inglês, desembarcara em 28 de setembro, no sul da Inglaterra, em Pevensey, com 12 mil soldados.

Esse ataque era esperado por Haroldo. Segundo historiadores, Eduardo III prometera a coroa a seu primo William, caso morresse sem herdeiros. Por razões desconhecidas, em 1064, Haroldo teria viajado até a Normandia, onde fez o juramento de apoiar o duque na demanda pelo trono inglês. Para William, a coroação de Haroldo foi também uma traição a votos sagrados.

Fatigados por uma árdua batalha e duas longas marchas, os ingleses confrontaram William, em Hastings, a 14 de outubro de 1066. Caíram frente às táticas normandas de cavalaria. Ao final do dia, Haroldo II estava morto. A lenda diz que foi alvejado no olho por uma flecha (o tipo de morte decretado a quem fazia falso juramento). No Natal de 1066, William – o Conquistador – tornava-se o primeiro rei da dinastia normanda da Inglaterra.

Os guerreiros vikings

Os povos nórdicos do século 11 já não eram os pagãos que 200 anos antes haviam espalhado terror pela Europa. Mas histórias como a destruição do mosteiro de Lindisfarne, no nordeste da Inglaterra, em 793, quando noruegueses mataram os monges e pilharam o local, ainda ecoavam em várias regiões. A palavra escandinava que designava esses guerreiros, viking (pirata), explicava sua razão de ser.

A partir do século 8°, após constantes batalhas em suas terras de origem (Dinamarca, Noruega e Suécia), eles buscaram territórios e rotas de comércio. Seus conhecimentos de navegação e seus barcos longos de quilha profunda possibilitaram navegar em mar aberto e rios. Assim saquearam e colonizaram partes das Ilhas Britânicas e da França (onde eram chamados de normanni, homens do norte), dando origem à Normandia.

Foram também à Islândia e à Groenlândia, cruzaram o Atlântico, chegando à América. Aventuraram-se pelo Mediterrâneo e Mar Báltico. Na Europa Oriental, tomaram Kiev, onde foram chamados de rus (daí, russo), descendo pelos rios até ter contato com o império bizantino. Com as colonizações, os vikings converteram-se ao Cristianismo e sua sanha exploradora arrefeceu. No fim do século 11, seu período de grandes invasões terminara.

Haroldo II (1022-1066)

Quem foi: Cunhado do rei Eduardo III e eminência parda em seu reinado. Com a morte deste, o conselho dos sábios o coroou como Haroldo II.
Contingente na Ponte Stamford: 7 mil homens.
Baixas: cerca de 2 mil mortos.
Que fim levou: Foi morto semanas depois pelo normando William.

Harald Hardrada (1015-1066)

Quem foi: Rei da Noruega. Considerava-se herdeiro de escandinavos que reinaram na Inglaterra no período de 1013 a 1042.
Contingente na Ponte Stamford: 7 500 homens.
Baixas: cerca de 7 mil mortos.
Que fim levou: Sua morte foi o fim da era viking. Seu filho, Olaf Kyrri, sucedeu-o por mais de 25 anos.

.:: Aventuras na História


Leia também!

► Batalha de Stamford Bridge

► Batalha de Hastings

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Beowulf, o livro perdido

Poema heróico anglo-saxão, que quase foi destruído em um incêndio, retrata como era a vida do povo nórdico da época e mostra de onde vinha a coragem dos guerreiros no campo de batalha




A chamada Era Viking, marcada pela expansão dos povos nórdicos pelo mar, sobretudo para as Ilhas Britânicas, começou no século VIII, quando navegadores escandinavos passaram a sair de suas terras com mais freqüência para buscar tesouros, riquezas e praticar pilhagens. Porém, a coragem e a inspiração desses bravos conquistadores são mais antigas e sua origem pode remontar aos tempos antes na própria Escandinávia. O poema heróico anglo-saxão Beowulf, provavelmente compilado por volta do ano 1.000, mas composto nos séculos anteriores, é uma boa referência para entender o povo da região na Idade Média. Embora tenha sido escrito com uma conotação cristã - nota-se isso pelas referências ao deus do cristianismo na obra - é possível identificar no texto as motivações heróicas de seus personagens, típicas dos guerreiros da época que entravam em guerra em busca de aventuras e glória.


Trecho do manuscrito de Beowulf,
encontrado em um mosteiro inglês.

O poema, que quase foi destruído em um incêndio, é considerado o primeiro texto da literatura anglo-saxã, ainda escrito no chamado Old English (o inglês arcaico). Desde sua descoberta, o livro tem inspirado pesquisadores de literatura inglesa de diversas partes do mundo. Um dos mais notórios estudiosos de Beowulf, que popularizou a obra no século passado, foi John Ronald Reuel Tolkien, autor da trilogia O Senhor dos Anéis, O Hobbit, Silmarillion e outros. Neste mês, a história do guerreiro nórdico chegará aos cinemas em uma versão do diretor Robert Zemeckis. Trata-se de uma animação feita por computador produzida pela Paramount Pictures.

Embora Beowulf seja um texto literário, nem tudo no poema é fruto da criatividade do autor - ainda desconhecido. Boa parte da obra realmente retrata com precisão o comportamento e o pensamento dos escandinavos da Idade Média pré-cristã e pré-viking. Beowulf narra a aventura do personagem de mesmo nome, um valoroso guerreiro que viaja à região onde hoje fica a Dinamarca, com um pequeno grupo de aliados para enfrentar uma monstruosa criatura chamada Grendel. A fera estava dizimando os habitantes do reino de Hrothgar, que nada conseguia fazer para expulsá-la. Movido pela coragem e pela bravura de um legítimo nórdico, Beowulf vai rumo ao desconhecido para se confrontar com o monstro e, mais à frente, com a própria morte - sem nunca recuar nas batalhas. Segundo especialistas, o poema mostra com clareza a forma como viviam os antigos combatentes das terras da Escandinávia. Se fosse preciso, eles realmente se lançariam à morte para defender o que acreditavam ser o correto. É a chamada Teoria da Coragem do Norte.

De acordo com Terje Spurkland, professor do Instituto de Lingüística e Estudos Nórdicos da Universidade de Oslo (Noruega), Beowulf pode ser considerado um poema heróico pré-viking, composto oralmente entre os anos 700 e 750. Segundo o historiador Elton Medeiros, mestre em história pela USP e especialista no poema anglo-saxão, o texto de Beowulf surgiu a partir da tradição oral e, posteriormente, foi compilado com outros textos: A Paixão de São Cristóvão, As Maravilhas do Oriente, A Carta de Alexandre para Aristóteles, Beowulf e Judite, os dois primeiros escritos em prosa e os demais em verso.


Acima, Convidados do além–mar do pintor russo Nicholas Roerich
(1874-1947). A obra retrata a chegada dos vikings conhecidos no Oriente
como varegues nas planícies do Volga. Os nórdicos chamados Rus fundaram
o principado de Kiev e emprestaram seu nome à Rússia e à Bielo-Rússia.

Calcula-se que esse codex dos textos tenha sido feito entre os anos de 975 e 1025 (por isso a adoção do ano 1.000), portanto, pode ter sido escrito após a cristianização dos vikings. A versão que chegou até os dias atuais passou muitos anos guardado em uma igreja sem receber a devida importância. Portanto, pouco se sabe com certeza sobre a origem da tradição do herói do poema. “Nos manuscritos originais há dois textos religiosos e outro contando a saga de Alexandre, e Beowulf está perdido no meio. Outra teoria é que a compilação desse códice no qual Beowulf integra fosse, talvez, um livro contando história de aventuras de monstros, pois as narrativas religiosas também tratam de combates”, argumenta Medeiros. “Beowulf, então, é uma espécie de quimera, pois é uma compilação estranha: há uma mistura de dialetos de diversas partes da Inglaterra e ninguém tem certeza de quando essa tradição realmente surgiu, na verdade”.

O historiador Johnni Langer, pós-doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), coloca em dúvida a idéia de que o texto tenha sido desenvolvido inicialmente no século VIII e, depois, reunido em um único material. “Tradicionalmente, a data de composição do poema gira entre os séculos VII e VIII, primeiramente pele forma oral. Depois, com a influência da língua latina, houve a preservação do manuscrito no ano 1.000”, diz. “Porém, acredito que a obra foi composta oralmente e escrita ao mesmo tempo, no ano 1.000. O dragão das mitologias germânica e escandinava não tinha asas e era praticamente uma grande serpente, como a criatura que enfrenta Thor durante o Ragnarök. Mas Beowulf se confronta com um dragão alado que cospe fogo no fim da narrativa, e essas criaturas só surgiram por volta do ano 1.000 por causa do cristianismo, pois é uma alusão ao próprio demônio”, argumenta.

JORNADA DO MANUSCRITO

Polêmicas à parte, importa que o poema conseguiu transcender os séculos e chegar aos leitores contemporâneos. Mas o caminho não foi fácil. No século XVI, o manuscrito passou para as mãos do antiquário Lawrence Nowell, que assinou seu nome na primeira página do épico em 1.565 - dando a impressão de que ele era o autor. Nos anos seguintes, o material foi passado para sir Robert Bruce Cotton, que o manteve em seu acervo pessoal. Porém, em 1.731, Beowulf quase foi destruído em um grande incêndio. As margens do papel e algumas palavras ficaram danificadas. Na última tradução lançada no Brasil, pela editora Tessitura, o tradutor Erick Ramalho deixou alguns poucos trechos marcados com asteriscos, pois essas passagens são indecifráveis.

Por fim, o manuscrito foi entregue à British Library, na Inglaterra, onde permanece arquivado até hoje. Oficialmente, Beowulf se chama Cotton Vitellius A. XV. O motivo é simples: pertencia a Robert Bruce Cotton e estava arquivado na estante A, onde era o 15º livro da prateleira e ficava ao lado do busto do imperador romano Vitellius. Porém, é conhecido pelo nome do personagem principal da narrativa justamente por se desconhecer o autor.


2ª Parte -->

Beowulf, o livro perdido

Os deuses pagãos eram apresentados ao povo
escandinavo como grandes guerreiros, dotados
de virtudes de combate, força e temeridade


É possível perceber que, embora seja um poema heróico sobre o povo escandinavo, o manuscrito sempre esteve em solo inglês onde foi escrito e possivelmente compilado. O que chama a atenção dos especialistas é o fato de Beowulf estar carregado de elementos religiosos cristãos e não pagãos. “Até o começo da década de 1930 acreditava-se que Beowulf era um texto pagão que havia sofrido algum processo de cristianização por monges ou copistas nos anos seguintes a sua conclusão. Hoje, porém, discute-se outra teoria: pode realmente ter sido um texto pagão, mas que foi transmitido pela tradição oral e, quando o manuscrito foi escrito, por volta do ano 1.000, pode ter sido desenvolvido em uma situação completamente cristã”, explica Elton Medeiros, que prepara sua própria tradução do épico. “Seria, então, um texto cristão que sofreu muitas influências pagãs”, completa.


Pedra com escritos rúnicos localizada na Suécia.
A mensagem celebra Assur, que morreu
em 1010 lutando pelo imperador bizantino
e relata a morte de outros dois vikings.

Pode-se encontrar esses elementos cristãos logo no início do texto, quando o autor fala sobre a destruição causada por Grendel no palácio de Hrothgar. A passagem da obra diz que os homens punham-se a rezar pedindo proteção em templos pagãos, o que não surtiria nenhum resultado positivo - isso sugere que apenas o deus cristão poderia trazer proteção aos nórdicos sitiados pelo monstro. Sendo assim, podese supor que o próprio autor era cristão. Contudo, acredita-se que ele conviveu com a cultura e tradição escandinavas por algum tempo, por conta de seu conhecimento sobre o assunto, embora não concordasse com todos os seus ritos religiosos.

De qualquer forma, o autor não deixou de mencionar no livro esses velhos hábitos da religião pagã, como o ato de cremação dos condenados pelo cristianismo. Para os nórdicos, queimar o corpo dos guerreiros tombados era algo natural; para os cristãos, o corpo não poderia ser destruído, pois os mortos voltariam após o Juízo Final. “Podemos considerar que as sociedades anglo-saxônica e escandinava eram muito próximas. Então, é por isso que temos essa mistura de elementos”, conta Medeiros. “É uma mescla bastante curiosa de religiões, pois o próprio Grendel é descrito no texto como sendo descendente da linhagem de Caim”.

O historiador esclarece ainda que o deus cristão presente no texto é o do Velho Testamento, que é apresentado de forma diferente da divindade do Novo Testamento. Esse deus é heróico e podia conceder força aos heróis para que tivessem capacidade de combater e expulsar o mal. “É a idéia de que Beowulf conseguia vencer Grendel com a ajuda de Deus”, conta. Esse conceito religioso está próximo do pensamento nórdico da Idade Média, mas também tem muita relação com a Inglaterra de um período tardio anglo-saxônico.

TEORIA DA CORAGEM DO NORTE

A principal razão pela qual os nórdicos combatiam com tanta sagacidade, mesmo em situações completamente adversas, era a inspiração vinda da própria religião pagã. Embora Beowulf tenha recebido uma alta carga de cristianização, é possível identificar essa virtude na obra. Os deuses pagãos eram apresentados ao povo escandinavo como grandes guerreiros, dotados de virtudes de combate, força e temeridade. Pela saga de Frithiof, Th or, o deus do trovão, era destemido e, caso fosse necessário, estava sempre disposto a se lançar à morte certa em campo de batalha, sem titubear: “Thor será sempre o sustentáculo/dos que não se arreceiam de qualquer obstáculo/Aquele que pode contar com a sua espada/Domina o seu destino e não teme nada”, diz a tradição.

Este elemento está presente em toda a narrativa de Beowulf, a começar pela viagem do personagem principal à Dinamarca. Em um ato de extrema bravura, o herói cruza o mar voluntariamente para confrontar Grendel e, com isso, salvar Hrothgar e seu reino da destruição iminente. O guerreiro é retratado como o mais bravio combatente de sua comitiva, com a força de 30 homens e com a valentia semelhante à de um hoplita espartano, o que o estimulava a jamais refugar em campo de batalha. É inegável que a obra carrega essas características das divindades nórdicas do período pagão. A razão é que o povo da época era criado em uma cultura guerreira que os estimulava a ser virtuosos na guerra - a sociedade acabou sendo influenciada pela mitologia.


Ilustração de manuscrito do séc. XVII
que conta a saga dos reis da Noruega.

Essa coragem extrema é conhecida por alguns especialistas como Teoria da Coragem do Norte, ou simplesmente Teoria da Coragem. Há, contudo, duas teses que justificariam essa bravura. A primeira é que, pela crença do povo nórdico, há um grande evento chamado Ragnarök, o crepúsculo dos deuses. Esse acontecimento levaria ao fim do mundo após uma grande guerra entre as forças do bem e do mal, envolvendo todos os deuses e heróis. Esta é uma batalha que opõe os Aesir, liderados por Odin, a um exército liderado pelo deus Loki. Ambos os lados contariam com grandes guerreiros em combate - quase todos acabariam sendo mortos no confronto.

O destino deste conflito é trágico: Odin fere mortalmente o lobo Fenrir, filho de Loki, mas também tomba no combate; Th or consegue derrotar Jomungard, uma serpente gigante, mas acaba sendo envenenado e também morre; um dos mais valentes guerreiros dos Aesir, Heimdall, vence Loki, mas cai em seguida. Por fim, Midgard, a Terra dos mortais, é consumida pelas chamas.

Sendo assim, a própria religião escandinava da Idade Média pré-cristã pregava a idéia de que todos os heróis teriam o mesmo destino: estavam fadados a perecer na guerra. Entretanto, isso não era suficiente para que os guerreiros evitassem as guerras. Pelo contrário: mesmo diante da morte certa os guerreiros não declinavam de sua missão, pois mesmo a derrota podia trazer glória. O autor do poema mostra um Beowulf heróico, consciente de seu destino final e, mesmo assim, ávido pelo combate. Até certo ponto é algo bastante semelhante à mitologia grega, mas com uma diferença crucial: os helenos acreditavam na glorificação pelo sacrifício, conhecida como bela morte, porém este não era um elemento necessariamente ligado à religião, mas sim à própria cultura da Antiguidade.


Representação do Ragnarok feita pelo
ilustrador alemão Johannes Gehrts.

Johnni Langer, no entanto, não associa a Teoria da Coragem com o Ragnarök - embora continue argumentando com base na religião pagã. Para ele, a bravura dos escandinavos estava mais ligada diretamente aos cultos a Odin, e não ao grande confronto entre os deuses. Segundo ele, os guerreiros nórdicos pertenciam a uma aristocracia odinista. “A idéia máxima entre os odinistas é que o guerreiro deveria morrer em batalha para poder alcançar o Valhala, o paraíso presidido pelo deus Odin. Esse ímpeto de tombar em combate dava uma coragem a mais”, afirma.

De acordo com essa corrente de pensamento, o Ragnarök pode ter sido um conceito criado pelos nórdicos no fim do paganismo, já sob forte influência cristã: seria, neste caso, uma espécie de Apocalipse para o povo escandinavo.


Pintura do norueguês Peter Nicolai Arbo (1831 – 1892)
representando a morte de Olav II da Noruega, mais tarde Santo Olavo,
morto na Batalha de Stiklestad, em 1030, lutando contra o exército
pagão que se opunha a sua tentativa de cristianização da Noruega.

A CHEGADA DOS VIKINGS À AMÉRICA DO NORTE

Não é à toa que o poema Beowulf representa tão bem o cotidiano do povo escandinavo da Idade Média. Os nórdicos, tanto da era pré-viking quanto da posterior, realmente tinham uma grande tendência a ser exploradores, característica que sempre os levava a desbravar novas expedições em terras além-mar. O herói da obra literária viajou uma distância relativamente pequena para confrontar-se com o desconhecido. No entanto, nos séculos seguintes, os desbravadores vikings conseguiram chegar à América do Norte e criar assentamentos antes mesmo de Cristóvão Colombo pisar nas terras do novo mundo.

Segundo o historiador James Graham-Campbell, da University College London (Inglaterra), os navegadores nórdicos descobriram o território do continente americano por volta do ano 1.000 - época em que os textos integrantes de Beowulf provavelmente foram compilados. Eles tiveram um contato bastante expressivo com os nativos, embora não se possa dizer que eles subjugaram os índios. “Eles não conquistaram territórios por lá. Sabemos da criação de apenas um assentamento, que não durou muito tempo”, diz. Contudo, para alguns grupos de nativos, a presença nórdica nas terras americanas foi marcante, chegando inclusive a travar combates violentos, de acordo com o arqueólogo Stephen Harding, da University of Nottingham.

Porém, a chegada dos escandinavos ao novo mundo foi um processo gradativo. O historiador Johnni Langer argumenta que, primeiramente, os vikings chegaram à Islândia. “Ocorreu uma fuga de colonos noruegueses do reinado de Harald Cabelos-Finos, pois não concordavam com sua política, e foram à Islândia, já conhecida, mas ainda não povoada e colonizada. Depois, o famoso Erik, O Vermelho, foi expulso da Islândia por ter matado muitas pessoas; levou algumas famílias e acabou colonizando a Groenlândia. Depois de um certo tempo, acabaram fundando Vinland, a famosa terra das uvas, onde formaram uma colônia que durou três anos”.Esse assentamento teria sido fundado onde hoje é o Canadá, mas alguns especialistas também defendem que pode ter se localizado nos Estados Unidos, onde haveria terras mais quentes e, desta forma, possíveis de se produzir uvas. De qualquer forma, essa pode ter sido apenas uma forma de atrair novos colonos da Escandinávia com a falsa promessa de que na terra nova era possível criar fazendas mais produtivas. “Essa terra nova teria sido colonizada pela necessidade de novas terras de colonização, pelo espírito exploratório que os escandinavos tinham no período. Esse assentamento foi abandonado por causa da hostilidade das tribos indígenas locais e pela grande distância das demais nações nórdicas”.

.:: Leituras da História


<--1ª Parte

terça-feira, 20 de abril de 2010

Cerco de Asselt

O Cerco de Asselt foi um cerco feito pelos francos ao acampamento Viking em Asselt na Frísia, no ano 882.

Carlos, o Gordo, imediatamente depois de assumir o trono do Império Franco em Regensburg no início de maio, realizou uma reunião (no final daquele mesmo mês) em Worms para determinar um curso de ação contra os Vikings que estavam acampados em Asselt. Um exército composto por francos , alamanos , bávaros , Turíngios , saxões e lombardos foi montado para expulsar os vikings no norte. Os lombardos, Alemanos e Francos aproximaram-se do Reno no oeste, enquanto os bávaros foram ao longo da margem oriental e cruzaram em Andernach. Como estratégia, enviou uma força de bávaros com Arnulfo da Caríntia e francos sob Henrique de Franconia para emboscar os nórdicos desavisados.

Segundo o relato parcial da continuação do Mainz Fuldenses Annales, o acampamento estava prestes a cair quando Liutward de Vercelli , subornado pelos Vikings, convenceu o imperador a se reunir com enviados do Godfrid e fazer a paz. Foi concedido Kennemerland, a Godfrid que haviam sido governada por Roric. O continuação Mainz retratou o exército extremamente descontente com o seu imperador. O continuação da Baviera apenas menciona que a emboscada inicial foi frustrada por traidores e o cerco subseqüente - que durou doze dias - pela propagação da doença de cadáveres apodrecidos e uma tempestade de granizo muito grave. Conta também que Godfrid, jurou a Carlos prometendo nunca mais voltar assolar o seu reino e aceitaram o cristianismo e o batismo, no qual Carlos foi o seu padrinho. A continuação Mainz tinha uma má opinião particular de Carlos, o Gordo, porque seu patrono, Liutbert , havia sido demitido do seu cargo com a ascensão de Carlos.

A campanha terminou, Carlos voltou para Koblenz. Sua reputação como um governante fraco e inepto deriva em grande parte desta campanha, apesar de os contemporâneos, em geral, não a vissem como uma falha. Só o clérigo de Mainz Liutbert, juntando-se aos anais de Fulda tinham essa impressão.

Fonte: Wikipédia
Tradução e Edição: Valter Pitta

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Batalha de Fyrisvellir

A Batalha de Fyrisvellir foi uma batalha pelo trono da Suécia, que foi travada no 980 sobre a planície chamada Fyrisvellir, onde situa-se atualmente Uppsala, Entre Eric, o Vitorioso e seu sobrinho Styrbjörn o Forte.

É mencionada em inúmeras fontes medievais, como Eyrbyggja saga, saga Knýtlinga, saga Hervarar e Saxo Grammaticus 'Gesta Danorum (Livro 10), mas a descrição mais detalhada é encontrada na curta história Styrbjarnar þáttr Svíakappa.

Antecedentes

Styrbjörn tornou-se o rei mas queria acumular uma força ainda maior, a fim de levar a coroa da Suécia, que Thing negou-lhe sobre a morte de seu pai, a morte de envenenamento de que ele suspeitava o tio Eric.

Styrbjörn saqueou em toda parte no recém-criado reino da Dinamarca, até que o seu rei Harald pediu uma solução. Harald deu sua filha Tyra como esposa a Styrbjörn e ele foi embora, mas voltou para a Dinamarca.


Marinheiros dinamarquês, quadro
pintado em meados do século XII.

Ele obrigou os dinamarqueses a dar-lhe 200 navios e marinheiros, levando com ele, o próprio rei. Ele, então, partiu para a Suécia com a sua armada de navios.

Batalha

Quando Eric soube que os navios tinha entrado em Mälaren, ele enviou Fiery Cross em todas as direções e acumulou o juntou seus homens em Uppsala. Þorgnýr o Lagman, um homem muito sábio, aconselhou Eric a colocar estacas para impedir a passagem dos navios para Uppsala. Quando Styrbjörn chegou com os seus navios e viu que não poderia navegar mais, jurou nunca deixar a Suécia, vencendo ou morrendo. A fim de incentivar os seus homens para lutar até a morte, ele incendiou os navios. O Rei Harald, no entanto, não quis participar junto com seus marinheiros desta batalha.

Styrbjörn engoliu seu orgulho por esta traição e marchou em direção Uppsala com seus homens. Quando os suecos ameaçaram parar seu avanço na floresta, Styrbjörn ameaçou iniciar um incêndio na floresta, convencendo os suecos a deixar Styrbjörn e seus homens passam pela floresta sem danos. Þorgnýr disse ao rei Eric para amarrar o gado e aproveitá-los com lanças e espadas. Quando o inimigo se aproximou do Fyrisvellir, os escravos levaram o rebanho em direção das tropas inimigas, causando estragos em suas fileiras. No entanto, Styrbjörn reorganizou suas fileiras. A luta durou todo o dia e à noite houve um impasse. No dia seguinte, também terminou em empate, apesar do Rei Eric receber grandes reforços.

Durante a noite, Styrbjörn fez sacrifícios a Thor, mas o deus-barbudo vermelho mostrou-se irritado e previu uma grande derrota. Eric, por outro lado, foi para o Templo de Uppsala e sacrificou a Odin. Um homem alto, com um manto azul e um chapéu de abas largas mostrou-se a Eric. Odin, que deu a Eric uma bengala e disse-lhe para jogá-la sobre os inimigos e dizer "eu darei tudo de mim para Odin".


Depois da batalha de Fyrisvellir, por Mårten Eskil Winge (1888).

No terceiro dia, Eric obedeceu ao comando de Odin e uma chuva de flechas caiu sobre as tropas de Styrbjörn, uma saraivada de que os homens chamaram "Setas de Odin". Quando Styrbjörn entendeu que tudo havia acabado, ele gritou a seus homens para defender e lutar, meteu a bandeira no solo e correu para o exército sueco com o seus melhores guerreiros. Depois de poucos dias seus homens fugiram.

Conseqüências

Após a vitória, o Rei Eric prometeu uma grande recompensa a quem pudesse compor um poema sobre a vitória. Entre suas fileiras foi um islandês chamado skald, imediatamente compôs um poema sobre a vitória, o rei o recompensou com uma pulseira de ouro.

Com resultado desta batalha, o rei Eric ficou conhecido como "o vitorioso".

Fonte: Wikipédia
Tradução e Edição: Valter Pitta

Batalha de Leuven

A Batalha de Leuven foi travada em setembro de 891 entre os francos e os Vikings, terminando com as invasões Vikings nos países baixos.

A existência desta batalha é conhecido devido à Fuldenses Annales.

A batalha

A força dos francos foi liderada por Arnulfo da Caríntia. Os francos repeliram o ataque Viking e é relatado que os corpos dos mortos bloqueou a correnteza do rio Northmen (ita ut cadaveribus interceptum alveum appareret siccum torrente).

Depois do sucesso, Arnulf construiu um castelo em uma pequena ilha no rio Dijle.

O Fuldenses Annales, a fonte que menciona esta batalha é a primeira fonte que cita a cidade de Leuven (francês: Louvain), que era na época chamado Loven.

A batalha também é mencionado nas Crônicas Anglo-Saxon.

Fonte: Wikipédia

sexta-feira, 26 de março de 2010

Igor de Kiev

Igor (Nórdico antigo: Ingvar) sucessor de Oleg de Novgorod foi um Príncipe varegue dos Rus de Kiev de 912 a 945.




Pouco se sabe sobre ele na Primeira Crônica. Especula-se que as crônicas não discorreram muito sobre este reinado devido ao fato da região estar sob controle da Khazaria neste período.


Igor de Kiev, primeiro da direita.
Iluminação da Crônica Radziwiłł.

Igor sitiou duas vezes Constantinopla, em 941 e 944, e, com o fato de sua esquadra ter sido destruída pelo fogo grego, firmou um tratado com o imperador (o texto pode ser encontrado na crônica). Em 913 e 944, os Rus saquearam os árabes no Mar Cáspio, durante expedições nesta localidade, mas não está claro se Igor estava a frente dessas expedições.

Revisando a cronologia da Primeira Crônica, Constantine Zuckerman afirma que Igor reinara por apenas três anos, entre o verão de 941 até a sua morte em 945. Ele explica as poucas informações sobre o reinado na crônica pela dificuldade do autor em interpretar as fontes bizantinas. Nada se relata sobre as atividades de Igor na crônica antes de 941.


Igor coletando tributos dos drevlianos,
por Klavdiy Lebedev (1852-1916).

Igor é morto ao fazer coleta de tributos dos drevlianos em 945, sendo posteriormente vingado por sua esposa Olga.


Barco funerário de Igor,
por Henryk Siemiradzki (1843–1902).

A Primeira Crônica associa sua morte à excessiva ganância que tinha, indicando que tentava coletar tributos pela segunda vez em um único mês. Como resultado, Olga modifica o sistema de coleta de tributos (poliudie) no que pode ser considerado como a primeira reforma jurídica registrado na Europa Oriental.

Fonte: Wikipédia
Tradução e Edição: Valter Pitta

sexta-feira, 5 de março de 2010

Vikings em ataque

O dia 8 de junho de 793 era um dia tranqüilo na ilha de Lindisfarne, costa leste da Inglaterra. Ali, desde o século 6, o mosteiro de mesmo nome abrigava grandes preciosidades inglesas, entre livros, relíquias e doações. Naquela manhã, os monges foram saudar os estranhos que tinham acabado de chegar à praia. Começava a primeira invasão viking da qual se tem notícia. “Eles eram como vespas. Espalharam-se como lobos esfaimados, roubando, destruindo e matando”, escreveu um sobrevivente.




O termo “viking”, em nórdico antigo, significa “pirata” ou “bandoleiro”: para jovens escandinavos dos séculos 8 ao 11, pilhar era uma atividade sazonal, de verão, uma maneira de ganhar um extra. Com a criação de barcos que navegavam tanto em mar aberto como em rios, os vikings chegaram a Paris, em 845, navegando pelo rio Sena. Fundaram colônias na Rússia, Irlanda, França, Escócia, Inglaterra, Islândia e Groenlândia. No século 13, estiveram até na América, fundando vilas no atual Canadá.

Fúria de verão
A colônia de férias dos escandinavos




SEM CONTROLE
Exemplos do guerreiro medieval sem autocontrole, os “berserkers” eram os piores inimigos numa batalha. Devotos de Odin, deus da fúria, atacavam tudo e todos – às vezes até os seus aliados. Confiando terem “corpo fechado”, brigavam urrando e sem proteção.

OS COMANDANTES
A força viking mais confiável era a dos guerreiros profissionais. Além de ordenar o ataque, eles tinham as melhores armas. Protegiam-se com os melhores capacetes e com uma camisa feita de argolas de metal, a cota de malha, em vez das jaquetas de couro dos soldados comuns.

O NAVIO DRAGÃO
O temido “drakkar” era construído a partir de toras de carvalho. Com 28 metros de comprimento e capacidade para 32 tripulantes, navegava em rios com pelo menos 1 metro de profundidade, a até 22 km/h. Mas o melhor era sua “marcha à ré”, que dispensava a necessidade de virar o navio para fugir.

ARMAS DE ESTIMAÇÃO
Não há menção ao uso de capacetes com chifres pelos vikings, apenas com proteção para o nariz. Suas armas básicas eram um escudo de cerca de 75 centímetros de diâmetro, uma lança de 2 a 3 metros ou a acha-de-guerra (um machado de cabo longo). As armas eram hereditárias e tidas como sagradas.

VÍTIMAS PREDILETAS
Os mosteiros eram alvos cobiçados pelos vikings, pois lá encontravam desprotegidos dinheiro e relíquias valiosas, como cálices de ouro, candelabros e tapeçarias. Vários deles, no norte da Europa, sofreram pilhagens, como em Noirmountier (França) e Coldingham (Escócia).

SURPRESA!
A maior arma dos vikings eram os ataques rápidos e inesperados, chamados de “stranhugg”. Eles chegavam de surpresa, saqueavam o povoado, capturavam alguns moradores como escravos e iam embora antes que alguma defesa organizada pudesse ser formada.

.:: Aventuras na História


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sobre os Bersekers


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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Conhecendo um pouco mais sobre os vikings



Durante três séculos, entre 800 e 1100 d.C aproximadamente, eles protagonizaram a chamada "Era Viking", atacando a Europa em sucessivas invasões que lhes renderam a imagem de bárbaros sanguinários, saqueadores impiedosos e pagãos, o que de fato, também, foram, mas não foram só isso. Conquistaram, fundaram e colonizaram povoados, revitalizando, em plena Idade Média, o comércio marítimo Europeu, ainda que temporariamente, com rotas através dos mares Báltico e do Norte, além de rios Europeus como o Ródano, o Reno, o Sena e o Tâmisa.

Em comum, esses três povos tinham a língua, o modo de vida e a religião nórdica, com preceitos tão avançados que só foram de novo pensados (ou copiados) no século 16, por Lutero e Calvino. Usavam as Runas (letras mágicas gravadas em pedras) como forma de adivinhação. Possuíam um apurado senso estético e viviam num peculiar regime democrático regido por assembléias populares, enquanto todo o resto do continente estava atolado no feudalismo. Eram comerciantes, agricultores e exímios artesãos, sabendo trabalhar a madeira, o marfim e o ferro muito bem.




Mas o que mais os distinguia era a maestria como construtores de navios, valendo-se de técnicas tão avançadas que só foram superadas pelos portugueses no século 15, ou seja, mais de quatrocentos anos depois. Construíam frotas de velozes e espaçosas embarcações, projetadas para o transporte de seus exércitos, e as usavam com velocidade e mobilidade. Foi esse prodígio náutico, insuperável na maior parte da Europa, que lhes deu decisivas vantagens em seus ataques em tão grande número de costas, e os transformou nos “Reis dos Sete Mares” que exploraram cada canto do Atlântico Norte e expandiram-se para bem longe - costearam toda a Europa rodeando as costas européias desceram os rios Dnieper e Volga e chegaram aos mares Mediterrâneo, Negro e Cáspio. Estiveram em Bagdá; criaram um reino na Ucrânia, e, navegando para Oeste, descobriram a Groenlândia, chegando ao continente norte-americano, onde estabeleceram um assentamento, cerca de 500 anos antes de Cristóvão Colombo.

Os barcos eram tão importantes na cultura nórdica que serviam de urna funerária para os grandes chefes. Graças a esse costume, que ajudou a preservar várias embarcações enterradas no solo fofo da Escandinávia, hoje se conhece bastante bem as técnicas de construção deles.

Drakkars e Knorrs - as temíveis naus vikings

No início da Idade Média, noruegueses e dinamarqueses desenvolveram um tipo de embarcação que só veio a ser superada cerca de seiscentos anos mais tarde pelos portugueses, com a invenção das Caravelas e Naus.




As embarcações vikings eram de dois tipos básicos: as de transporte e comércio; e as de guerra. Ambas tinham em comum o fato de serem longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do navio) que penetravam muito pouco na água, o que permitia navegar com estabilidade tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia para que os guerreiros descessem e atacassem o lugar.

A diferença entre elas era que as embarcações destinadas à guerra, as chamadas drakkars, eram menores e mais estreitas que as mercantes e de transporte, chamadas knorrs - destinadas ao transporte de produtos, algumas vezes levavam até gado, além de transportarem as pessoas comuns que se mudavam para alguma das colônias recém estabelecidas.

Tantos as drakkars quanto as knorrs eram enfeitadas com cabeças de dragões ou serpentes em suas proas e com velas listradas (ou xadrezes) em misturas de verde, vermelho ou azul com branco. Nas drakkars, cada homem ia sentado em cima de um pacote contendo suas armas e armadura, e esse pacote lhe servia de banco. Cada um, também, tinha um remo, e o último homem era o encarregado do leme, que dava direção ao navio. Quando o navio estava para chegar ao local planejado, os homens desfaziam seus pacotes e se preparavam para o ataque. Cada drakkar transportava em média quarenta guerreiros; uma knorr transportava muito mais pessoas ainda. Foi graças as drakkars e as knorrs que os vikings conseguiram colonizar grande parte das ilhas Britânicas, assaltar a Europa e descobrir a Islândia, a Groenlândia e a América.

Trajetórias Vikings




Os suecos iniciaram sua expansão em direção ao Leste e navegaram por lagos e rios russos até chegar aos mares Cáspio e Negro, o que lhes permitiu entrar em contato com o império bizantino e com os povos islâmicos da Pérsia. Suas expedições tiveram caráter mais comercial do que guerreiro e foram responsáveis pelo início das atividades econômicas nas bacias dos rios Dnieper e Volga. Da fusão de suecos e eslavos surgiram os primeiros principados russos, entre os quais se destacou, já no século 9, o de Kiev. O comércio dos vikings também provocou, no leste da Europa, o surgimento do ducado da Polônia e do reino da Hungria.

Os noruegueses se expandiram para oeste e ocuparam sucessivamente as ilhas Shetland, Faroe, Órcadas, Hébridas e a Islândia. Também se estabeleceram em diversos pontos da costa irlandesa. O chefe Erik, o Vermelho, chegou à Groenlândia no século 10 e seus filhos atingiram o continente americano num local que denominaram Vinland, "terra das vinhas".

Os dinamarqueses foram, ao longo de três séculos, o terror da Europa, sobretudo do reino da França. Aproveitando-se da debilidade dos países da Europa ocidental após a morte de Carlos Magno, realizaram repetidas incursões às zonas litorâneas do mar do Norte, tanto no continente quanto nas ilhas britânicas. Suas embarcações, de pequeno calado, tinham grande mobilidade, e isso lhes permitia seguir sem problemas os cursos dos rios, o que os tornou temidos também no interior. Em meados do século 9, subiram o Sena e saquearam Paris; pelo curso do Garona, chegaram a Toulouse; pelo Guadalquivir, a Sevilha; pelo Ródano, a Valencia e pelo Volga, a Portugal.

Os normandos ou "homens do Norte" eram vikings que se fixaram na França (na região agora denominada Normandia), tendo então conquistado a Inglaterra em 1066. Uma famosa tapeçaria normanda, que se encontra num museu da cidade de Bayeux, mostra cenas desta conquista.

.:: Correio Gourmand


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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Revelando a Religiosidade Viking

Recentemente vem ocorrendo um grande resgate da cultura Viking.




Dezenas de livros, documentários, eventos acadêmicos e descobertas arqueológicas vem demonstrando o valor da Escandinávia para o estudo da formação do Ocidente Medieval e Moderno, bem como a desmitificação de muitos estereótipos e fantasias.
Dentre todas as áreas de investigação, algumas das mais promissoras são os estudos de mitologia e religião pré-cristã, extremamente importantes para se entender o posterior processo de estruturação da mentalidade religiosa na Europa.
Uma das mais famosas pesquisadoras de mitologia germânica é a inglesa Hilda Davidson, autora do clássico Gods and Myths of Northern Europe, originalmente publicado em 1964 e que agora recebe a primeira tradução para a língua portuguesa. Esta obra se tornou um marco das investigações na área, tanto por seu caráter sistematizador quanto pela utilização de diversos tipos de fontes, sejam elas históricas (documentos e livros de caráter nobiliárquico/institucionais), literárias, epigráficas, iconográficas e arqueológicas. A obra é dividida em oito capítulos, seguidos de uma interessante relação de referências onomásticas e de um índice remissivo.

No início da obra, Davidson discute suas vinculações teóricas e influências metodológicas. Partidária de Mircea Eliade e Georges Dumézil, a autora defendia o estudo do mito para o entendimento da sociedade, da estrutura política e cultural dos povos durante a História. Para ela, somente o estudo comparado do mito poderia fornecer elementos para os pesquisadores contemporâneos conseguirem entender a motivação e o significado simbólico destas narrativas para as sociedades antigas. Assim, Davidson realizou um estudo comparativo do panteão escandinavo com as formas míticas mais antigas, como os germanos do período das migrações, procurando encontrar padrões em comum entre os simbolismos míticos destas sociedades.

No primeiro capítulo, O mundo dos deuses do Norte, a autora discute questões genéricas relacionadas com as fontes sobre a mitologia germânica: a poesia dos skålds na Escandinávia pagã, a questão da influência do referencial cristão na literatura do período pós Era Viking, as estruturas míticas da Edda em Prosa e Poética. Trata-se de uma parte essencial para aqueles que ainda não tem um conhecimento detalhado sobre a temática, tanto quanto uma importante introdução na crítica de fontes manuscritas da Idade Média (heurística medieval).

O segundo capítulo, Os deuses da batalha, dedica-se à interpretação dos cultos religiosos relacionados ao mais importante deus do panteão germano-escandinavo, Óðinn (Odin). Aqui, a autora inclui-se em uma interpretação historiográfica muito importante na medievalística nórdica, a de que os cultos no mundo germânico não eram centralizados, sem organização de uma instituição central, não hierarquizados, sem uma fé comum, variáveis conforme a região e a classe social. O deus Óðinn era o mais cultuado pelos nobres e reis (konungars), sendo por isto mesmo a principal divindade na literatura escandinava, associado com a magia e a guerra. Seu culto estava associado com sacrifícios violentos e personagens marciais como as valkyrjor(valquírias), as virgens condutoras dos guerreiros mortos em batalha para o palácio de Valhöll (Valhala, “salão dos mortos”). Outro destaque na interpretação da autora é para os berserkir (“os que portam camisas de urso”), guerreiros fanáticos dedicados ao culto de Óðinn, utilizados amplamente como mercenários e guardas de elite na Escandinávia da Era Viking.
Este mesmo deus volta a ser interpretado em outro capítulo do livro (Os deuses dos mortos), onde Davidson dedica-se a resgatar aspectos relacionados com funerais e magia, inclusive analisando a figura de Óðinn como xamã6. Outra importante questão enfocada pela autora é a disputa entre algumas crenças religiosas nas sociedades nórdicas, especialmente entre os cultos odínicos e os relacionados à fertilidade.

O próximo capítulo, O deus do Trovão, dedica-se ao estudo da mais popular deidade entre os Vikings, Þórr (Thor). Herói relacionado na luta contra as forças do caos e especialmente vinculado com fenômenos atmosféricos e árvores, este deus foi o favorito dos camponeses e agricultores, a exemplo dos colonos da ilha da Islândia.
As divindades relacionadas com a fertilidade são resgatadas no capítulo 4 (Os deuses da paz e da abundância). O deus Freyr, associado com os reis, e sua irmã Freyja são os mais importantes. Freyja recebia importantes cultos mesmo após a introdução do cristianismo na Escandinávia, além de possuir toda uma série de mitos associados com a vida após a morte dos guerreiros. Também Freyja era envolvida com um tipo de magia conhecida como seiðr (“canto”), possivelmente influenciada pelo xamanismo lapônico e que era utilizado para fins proféticos, curativos e de fertilidade ou prosperidade da comunidade em questão. O seiðr também foi representado nas fontes literárias como uma magia negativa, utilizada para fins maléficos ou destrutivos. Assim, a deusa Freyja possuía dois aspectos principais tanto na religiosidade quanto no pensamento mitológico: relacionada aos princípios de perpetuação das famílias e outro mais terrível, ligado à morte.

Algumas divindades mais obscuras e pouco conhecidas foram analisadas por Hilda Davidson em outro capítulo (Os deuses enigmáticos), como Baldr, Bragi, Íðunn, Mímir, Forseti, e especialmente Loki. Este último deus foi uma figura extremamente complexa, enigmática, sinistra e, às vezes cômica, especialmente citado e representado iconograficamente pelas fontes do período cristão, associado diretamente com Satanás. Por sua vez, o deus Baldr foi interpretado por Davidson a partir de uma perspectiva diferenciada. Não existem evidências de um antigo culto a Baldr antes da Era Viking, o que leva alguns pesquisadores a afirmarem que foi um mito criado pelo cristianismo, ou como sugere a autora, um antigo herói que foi divinizado.

O capítulo O começo e o fim apresenta algumas considerações sobre cosmogonia (a criação do universo e dos seres), segundo a mitologia germânica, além das concepções escatológicas (o fim dos tempos). Assim como para muitas crenças de origem indo-européia e euro-asiáticas, os Vikings acreditavam que a estrutura física do universo e mesmo as noções de tempo e destino, estavam intimamente relacionadas com uma árvore, denominada de Yggdrasill. O mais interessante porém, fica por conta das narrativas do fim do mundo, conhecidas por Ragnarök, onde todos os principais deuses morrem. Neste momento específico, Davidson rompe com muitos pesquisadores, negando a influência do referencial cristão na elaboração destas narrativas, que para ela teriam conotações essencialmente paganistas.

A última parte do livro é A despedida dos antigos deuses, um balanço acerca das características gerais da religiosidade nórdica e do período de transição para o cristianismo. Parte dos elementos míticos e religiosos dos Vikings era relacionados com o ambiente geográfico em que viviam, ou mesmo explicado por ele, enquanto que o restante foi intimamente ligado às estruturas jurídicas, políticas e econômicas da sociedade nórdica. Um momento muito interessante é a discussão que a autora estabelece acerca do público dos mitos: a receptividade das narrativas orais dependia da classe social e da região em que a mesma foi propagada. A falta de uma organização central favoreceu a variação de cultos e crenças. Para a autora, o individualismo da religiosidade Viking foi a maior causa de seu declínio com a chegada da nova fé, o cristianismo. Com a mudança do estilo de vida dos homens nórdicos, a partir do século X, o paganismo já não oferecia os mesmos vínculos sobrenaturais, confortos materiais e satisfações cotidianas que antes.

Infelizmente a obra apresenta diversos problemas de editoração. Em primeiro lugar, a tradução cometeu muitos erros como “Palácio dos derrotados” (a tradução mais correta do inglês para o português seria ‘salão dos que morreram em batalha’, p. 206); “Oseburg” (o correto é Oseberg, p. 114); “Destruição dos poderes” (Consumação dos destinos dos poderes supremos, p. 203); “100 d.C.” (na realidade seria século IX d.C., p. 115); “Odim (...) perfurado por uma espada” (Gungnir é uma lança, p. 122); “deflagrando” (inaugurando, p. 146); “eterna representação” (eterno retorno, p. 172); “um tanto patética” (um tanto estranha, p. 81). Algumas frases traduzidas não tem sentido nenhum, como em “A serpente mundial, enrolada ao redor da terra, embaixo do mar, que é uma mudança livre em Ragnarok” (p. 201). O correto seria traduzir a última frase por: liberta-se no Ragnarök. Erros de impressão permeiam toda a obra, como “poeterior” (posterior, p. 55), “durane” (durante, p. 166), “sepente” (serpente, p. 201). O tradutor também não seguiu nenhum critério para a transcrição de termos do nórdico antigo, pois enquanto a obra original conserva os mesmos, a edição brasileira optou por adaptar alguns (como Odim, que na maioria das adaptações ao português é Odin; Frei, o correto seria Freir ou Freyr; Tor, a grafia mais recomendada seria como nas línguas germânicas modernas, Thor), enquanto que em outras ocasiões as palavras permaneceram na versão original (a exemplo de seiðr, seiðkona, Niðhøggr, Yggdrasill).

Esperamos que outras importantes obras relacionadas com a História e a mitologia da Escandinávia futuramente venham a ser traduzidas em língua portuguesa, mas que tenham uma editoração e tradução muito mais criteriosa, não somente beneficiando os pesquisadores de medievalística, mas também a todos os que têm interesse em estudos de sociedades e culturas históricas em geral.

Fonte: www.cchla.ufpb.br

domingo, 20 de dezembro de 2009

Os 10 Maiores Mal Entendidos Sobre os Vikings

Os vikings, apesar de terem apenas uma passagem relativamente breve pelo mundo, que começou no século VIII, tem suas histórias de horror e destruição botando medo em criancinhas até hoje.




Veja agora 10 fatos errados sobre os vikings, nos quais
muita gente acredita até hoje, sendo esclarecidos.

1º: Estilo dos Elmos

Mal Entendido: Os Vikings usavam elmos com chifres.

Esse é maior erro quando se trata de Vikings, pois não existem registros de que esses elmos realmente existiram. Todas as representações de elmos Vikings datando da época dos Vikings, mostra elmos sem chifres, e o único elmo Viking autêntico já achado também não têm chifres. Uma explicação para o mito dos chifres é que os Cristãos da época adicionaram o detalhe para fazer com que os Vikings parecessem mais bárbaros e pagãos do que já eram, com chifres exatamente iguais ao de Satã em suas cabeças. É digno de nota que o deus nórdico Thor usava um elmo com asas nele, que de certa forma é similar a chifres.

2º: Estupro e Pilhagem

Mal Entendido: Os Vikings pilhavam como sua única maneira de viver.

Na verdade apenas uma pequena porcentagem de Vikings eram guerreiros, sua maioria era formada de fazendeiros, artesãos e comerciantes. Para os Vikings que iam para alto mar, a pilhagem era uma entre outros objetivos de suas expedições. Os Vikings se assentaram pacíficamente em vários lugares como na Islândia e Groenlândia, e eram mercantes internacionais em seu tempo; eles comerciavam pacíficamente com quase todos os países existentes na época.

3º: Sedentos de Sangue

Mal Entendido: Os Vikings eram bárbaros sedentos de sangue.

Os ataques Vikings eram, sem dúvida, violentos, mas a era medieval era violenta, e a pergunta era se outros exércitos não-Vikings eram menos violentos e bárbaros que eles; por exemplo, Carlos Magno, que foi contemporâneo dos Vikings, praticamente exterminou todo o povo de Avars. Em Verden, ele ordenou a decapitação de 4.500 saxões. O que realmente fazia os Vikings diferentes era que eles destruiam especialmente itens de valor religioso (Monastérios Cristãos e Lugares Santos) e matavam homens da igreja, o que os fez muito odiados em um tempo altamente religioso. Os Vikings provavelmente gostavam da reputação que tinham; na maioria das vezes em que viam um navio Viking nas redondezas, fugiam das cidades ao invés de defendê-las.

4º: Eles eram odiados por todos

Mal Entendido: Os Vikings eram odiados por todos os lugares.

Nós podemos pensar que os Vikings eram odiados por todos por causa de seus ataques, mas parece que eles também eram respeitados por alguns. O Rei francês Carlos III, também conhecido como Carlos o Simples, deu aos Vikings as terras que eles já ocupavam na Franças (Normandia), e ele até deu sua filha ao chefe Viking Rollo. Em troca, os Vikings protegiam a França de alguns Vikings ainda piores.

Também em Constantinopla os vikings eram conhecidos por sua força, tanto que a guarda real dos Reis Bizantinos (Guarda Varangiana), era feita exclusivamente de Vikings Suecos.

5º: Cidade Natal

Mal Entendido: Os Vikings viviam somente na escandinávia.

Os Vikings eram originados de países escandinavos, mas com o passar do tempo eles começaram a se fixar em vários lugares, desde o Norte da África, Rússia, Constantinopla e até na América do Norte. Existem diferentes teorias sobre os motivos da Expansão dos Vikings, e a mais comum é que a população escandinava tinha exaurido o limite do potencial agrícola da região.

Outra teoria é de que as velhas rotas de comércio da Europa ocidental e Eurásia caíram de rendimento quando o Império Romano caiu no século V, forçando os Vikings a abrirem novas rotas de comércio para lucrar do comércio internacional.

6º: Armas brutas

Mal Entendido: Os Vikings usavam armas brutas e não sofisticadas.

Vikings são mostrados várias vezes com armas rudes, como porretes ou machados simples, mas eles eram na verdade habilidosos ferreiros. Usando um método chamado de padrão de soldagem, os Vikings podiam fazer espadas extremamente afiadas e flexíveis ao mesmo tempo. De acordo com as narrativas épicas dos Vikings, o método de teste dessas armas era colocar o fio da espada em um córrego e deixar um fio de cabelo flutuar em direção a ele, se a espada cortasse o fio de cabelo, ela era considerada uma boa espada.

7º: Copos de Crânios

Mal Entendido: Os Vikings bebiam de copos feitos a partir de crânios.

A origem da lenda reside no livro de Ole Worm “Reuner seu Danica literatura antiquissima” de 1636, em que ele escreve que os guerreiros dinamarqueses bebiam de “galhos de crânios curvados”, ou seja , chifres , que foi erradamente traduzido em Latim para significar crânios humanos. A verdade é que, nenhum copo de crânio foi achado em escavações na época dos vikings.

8º: Grandes e Loiros

Mal Entendido: Os Vikings eram todos grandes e loiros.

os Vikings são mostrados na maioria das vezes como caras grandes, encrenqueiros e loiros, mas registros históricos mostram que a média de altura entre os homens Vikings era de 170 centímetros, altura que não era específicamente grande na época. O cabelo loiro era visto como o ideal na cultura Viking, e muitos homens nórdicos tingiam o cabelo de loiro com um sabão especial.

Mas os Vikings eram especialistas em abduzir pessoas, e muitas pessoas que eram sequestradas como escravos, se tornaram parte da população viking da época. Logo, nos grupos Vikings, você provavelmente acharia Italianos, Espanhóis, Portugueses, Franceses e Russos, um grupo variados de pessoas reunidos ao redor de um núcleo de Vikings de uma determinada região, como por exemplo, a Dinamarca ou no fiorde de Oslo.

9º: Pessoas sujas e selvagens

Mal Entendido: Os Vikings eram um povo maltrapilho e de aparência selvagem.

Em muitos filmes e desenhos animados, os Vikings são mostrados como pessoas imundas, selvagens, homens e mulheres, mas na realidade, os Vikings eram vaidosos quanto a sua aparerência. Na verdade, pentes, pinças, navalhas e uma espécie de cotonetes estão entre os itens mais encontrados em escavações da época dos Vikings. As mesmas escavações também mostraram que os Vikings faziam sabão.

Na Inglaterra, os Vikings vivendo lá tinham a reputação de limpeza excessiva, pois tomavam banho uma vez na semana (todo sábado). Por isso, o Sábado é dito como laugardagur/laurdag/lørdag/lördag, que significa ‘dia do banho’ nas línguas escandinavas, ainda que, hoje em dia, o significado original está perdido na língua moderna na maioria das vezes. De qualquer maneira ”laug” realmente significa banho ou piscina em Islandês.

10º: Uma Nação

Mal Entendido: Os Vikings eram uma nação.

Os Vikings não eram uma nação, mas vários grupos de guerreiros, exploradores e comerciantes liderados por um chefe tribal. Durante a época dos Vikings, a Escandinávia não era separada, como hoje em dia, entre Dinamarca, Noruega e Suécia, ao invés disso, cada chefe tribal governava uma pequena quantidade de terras. A palavra Viking não se refere a nenhum local, ela era a palavra, em norueguês arcaico, que se referia a uma pessoa que participava em uma expedição ao mar.

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